Nem santas, nem devassas

Por Marcia Ceschini*

O buzz da semana foi o reposicionamento da cerveja Devassa, usando a cantora Sandy como garota propaganda. Tanto buxixo digital se deve a  dois fatos: 1 – Sandy não gosta de cerveja mesmo sem álcool e 2 – ninguém a associa como uma pessoa “devassa”.

Mas meu artigo não é sobre o buzz da Devassa. É sobre algo que nossa propaganda faz mal: o uso da figura feminina em campanhas. E falo aqui como comunicadora, não como feminista. Embora alguns desavisados possam associar a isso, já que é uma mulher que escreve.

As mulheres evoluíram muito em todos os aspectos da vida, e temos feitos boas escolhas. Uma boa parte delas, ao menos.  Por que então sempre somos retratadas como vulgar, objetos de desejo, sem roupas, sem saber escolher, sempre ligada ao sexual? Porque essa é a visão do macho. É esse macho que faz a criação pensando em como a maioria dos produtos está ainda ligada ao ato do homem das cavernas de puxar  a mulher pelo cabelo.

Isso não é invencionice minha. É embasada pela pesquisa que o Instituto Perseu Abramo em parceria com o Sesc de São Paulo realizou ano passado. O estudo faz uma análise das opiniões e percepções femininas acerca de diversas vertentes da sociedade.

Seria interessante que os criativos, e os homens em geral,  olhassem para nós, não só como matronas que fazem macarronadas e bolos ou devassas em tops e shorts minúsculos.  Mas mulheres reais. Somos altas, baixas, gordas, magras (com e sem estrias), seres inteligentes, pensantes, organizadas e com bom gerenciamento de todo tipo de conflito: em casa ou no ambiente profissional.

É possível retratar uma mulher de verdade. Basta que vocês se interessem de verdade em descobrir como somos, além da tarja desejável que vem, ou não, a avistar uma de nós. Não somos santas, nem devassas. Somos Mulheres.

* Publicado originalmente no INPG Blog

Leia Mais

Um cross media chamado ARG

ARG é a sigla de Alternate Reality Game (jogo de realidade alternativa em tradução livre). Mas o que seria isso? É um advergame? Ou um RPG?
Não, o ARG para ter esse status não é uma coisa nem outra, mas podendo ser as duas. Compliquei? Explico. O ARG é um jogo de narrativas (como uma espécie de novela) em que se cria um contexto que permite aos jogadores fazerem parte da ficção sem precisar criar uma personagem, ele participa como ele mesmo e é parte fundamental da história.

É criada uma ficção que entra em seu cotidiano por diversas formas e por mídias diversas promovendo uma interatividade que não é conseguida de nenhuma outra forma em outros cross-medias. E ao mesmo tempo trabalha a marca, pois ela é o mote dessa narrativa.

O envolvimento dos jogadores se dá por meio do intercâmbio história/personagens, que é feito, por exemplo, através de e-mails, sites, blogs, telefonemas, cartas, interações ao vivo nos chamados “lives” etc. Qualquer mídia pode ser usada numa estratégia dessas desde que devidamente contextualizada com a narrativa do jogo para ampliar a catarse e a mímesis promovida pelo jogo.

Leia Mais

A transformação do analógico para o digital

Não adianta, tirando as capitais Rio e São Paulo, a maioria dos profissionais de comunicação digital ainda enfrenta a realidade de um mercado analógico.

Nosso desafio é duplo, abrir a mente do cliente para o universo das mídias digitais e conquistar o cliente. Temos que evangelizá-lo sobre a necessidade de estar nas mídias sociais adequadamente , criar relacionamento com seu target e zelar por sua reputação digital.

Leia Mais
Página 6 de 6« Primeira...23456