O Dia da Mulher e o posicionamento das marcas

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Se há uma data que, cada vez mais, vem ganhando força e evidência, é o Dia da Mulher. Não que antes fosse irrelevante. Tsc tsc… A data existe há mais de um século e sempre foi “celebrada” – pra não dizer “explorada”.

Bem, mas já que eu disse, então vou concluir meu pensamento: por muitos anos o “8 de março” vem sendo usado e abusado comercialmente. Parabenizam a mulher simplesmente por “ser mulher”, vendendo flores, perfumes, bombons e afins, mas negligenciando o real – e importantíssimo – motivo da data.

Acontece que agora, com as redes sociais, o público ganhou voz e o Dia da Mulher vem tomando a forma e o conteúdo que remetem, enfim, ao seu real significado: o empoderamento e a luta por igualdade e direitos. E isso, meu caro, vai muito além das comemorações.

 

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Cuidado com o que posta

Não há como negar: hoje o feminismo é a temática mais evidente do Dia da Mulher. Nas redes sociais é, sem sombra de dúvida, o tópico mais citado.

E é nesse cenário que postar uma mensagem repleta de clichês, com enfoque em estereótipos femininos, esquecendo-se de um debate tão atual como o empoderamento, é dar um tiro no pé, como ocorreu ano passado com a homenagem feita pelo Sport Clube Internacional – o Inter , e com a Prefeitura de Porto Alegre e neste ano com a Saraiva, cuja promoção está sendo bombardeada na página. Usar esse tipo de comunicação ultrapassada gera polêmica e resultados negativos. Ou, na MELHOR das hipóteses, ninguém vai te notar.

#FicaDica As mensagens precisam ser pertinentes e criativas. Exaltar, enaltecer e apoiar a luta das mulheres. Fazer parte desta corrente. Formar opinião. Nesse sentido, algumas campanhas realizadas no Dia da Mulher do ano passado foram excepcionais e merecem ser destacadas.

É preciso ser coerente

Não adianta erguer a bandeira de uma causa que sua empresa não apóia na prática. É necessário ser honesto e agir segundo o que, de fato, defende. Lembre-se: nada que não seja verdadeiro se mantém (e o tiro pode sair pela culatra). Além disso, é ineficiente e até mesmo antiético promover sua marca usando movimentos sociais que não acredita. Então, em alguns casos, é melhor ficar calado.

Empodere a sua campanha

Indiscutível afirmar que investir em publicidade é importante. Mas hoje é preciso ir além e apostar em um trabalho profissional nas redes sociais, que conduza com estratégia, que tenha conhecimento do comportamento do consumidor e discernimento do seu posicionamento no mundo digital.

É bom frisar que precisa ser um profissional e não o “sobrinho esperto” de um amigo. Você pode até ter suas contas nas redes sociais alimentadas, mas terá bons resultados?

Portanto, todo cuidado é pouco. Lembre-se que as redes sociais são acompanhadas continuamente pelos usuários. Casos e crises é o que não faltam, ainda mais quando envolve a defesa de causas sociais importantes como o Dia da Mulher, o feminismo e sua mobilização.

 

Luciana Cecchini – Consultora de Comunicação, com experiência em comunicação corporativa e atendimento a cliente.

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Atendimento publicitário: profissional essencial

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* Por Luciana Cecchini

Quando você se depara com um anúncio que faz seus olhos brilharem; uma campanha que te emociona; uma marca que te encanta; ou até mesmo uma página empresarial que te conquista, não calcula o trabalho da equipe – principalmente do atendimento publicitário – que está por trás de tudo isso que te cativou.

Você pode até imaginar alguns profissionais atuando: o diretor de arte tendo ideias super criativas ou o social media à frente do relacionamento e de conteúdos tão envolventes nas redes sociais. Mas dificilmente vai lembrar do responsável pelo atendimento da conta, que tem fundamental importância em todo o sucesso do job.

 

atendimento publicitário

Mas afinal, o que faz um Atendimento Publicitário?

Comumente denominado “executivo de contas”, é muito mais que um simples contato entre a agência e o cliente. Ele precisa de muito jogo de cintura para conduzir o trabalho do começo ao fim, passando por cada departamento. Pensando como cliente e atuando como agência.

O bom Atendimento Publicitário tem conhecimentos sólidos sobre comunicação, propaganda e marketing, além de conhecer todos os processos e áreas da agência. Também entende muito bem o negócio do cliente: o produto, o público, o mercado, a concorrência, os preços, as novas plataformas, as tendências etc.. E é dono de um olhar crítico – sempre que necessário, questiona informações, ideias e até mesmo soluções, tanto do cliente quanto da agência.

#dica Predicados importantes de um bom Atendimento: empatia, credibilidade, liderança, dedicação, visão estratégica, cultura abrangente, didática, oratória e fluência verbal.

Também é função do Atendimento prospectar novas contas. Por isso, é primordial que tenha um bom networking e esteja sempre atento a potenciais clientes.

Depois dessa volta de 360 graus por esta que é uma carreira tão importante, dá pra entender que não bastam apenas boas ideias para garantir o sucesso de uma campanha. Mais que isso, é preciso apostar em uma boa relação entre agência e cliente – ou sendo mais direta: investir no trabalho essencial do profissional do Atendimento.

Quer ser um bom Atendimento Publicitário?

#Ficadica

  • Cative a sua equipe. A primeira e preciosa dica para ser um grande profissional dessa área é ganhar o respeito e a confiança do pessoal da agência, para que haja uma boa interação e a otimização dos Jobs,
  • Seja curioso. Conheça os departamentos e entenda os processos da agência. Afinal, você precisa estar preparado para argumentar sobre um planejamento de mídia, a criação de uma campanha etc.. Além de passar segurança a seus clientes, isso favorecerá o dia-a-dia com sua a equipe,
  • Tenha um bom relacionamento com o cliente. Parece até óbvio dizer isso, mas na prática nem sempre é fácil. Você tem que saber, por exemplo, só de falar pelo telefone, se ele está, ou não, em um bom dia para a aprovação de um job,
  • Dê atenção ao seu cliente. Não seja um mero “vendedor”, que só aparece quando precisa de uma validação. Isso, sem dúvida, ganhará a confiança dele,
  • Seja honesto, sempre. Aponte resultados reais e indique novos prazos caso inevitavelmente ocorra um atraso na entrega de um trabalho. Todos sabem que imprevistos acontecem, mas só serão aceitos quando tratados com integridade,
  • Na hora de prospectar, prepare-se. Pesquise a empresa em questão, o seu ramo de atuação, os produtos, a região onde está inserida, a concorrência, enfim, tudo o que possa vir a somar durante a reunião em que vai apresentar a agência, as prováveis soluções e as perspectivas que tem em relação à mesma. Isso somará muitos pontos a seu favor,
  • Valorize o seu time. Sempre ressalte para o cliente que o sucesso é fruto de um trabalho em equipe. E, caso ele precise, os demais profissionais precisam também bem atendê-lo. Tenha certeza que isso fará toda a diferença.

Luciana Cecchini – Consultora de Comunicação, com experiência em comunicação corporativa e atendimento a cliente.

 

 

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Representatividade e comunicação de marca

representatividade

Segundo definições, representatividade é o ato de mostrar os interesses de um determinado grupo, classe social ou de um povo, Cn

Representatividade na comunicação

Vamos nos ater ao universo da comunicação, mais precisamente sobre como as marcas têm trabalhado, ou não, a representatividade.

Toda vez que uma marca tenta trabalhar a representatividade, seja ela de gênero ou de um grupo, nem sempre os resultados são bons, pois ao invés de usarem alguém do universo que desejam alcançar, colocam uma pessoa que não é do grupo no lugar e isso não gera representatividade ou empatia pela marca, faz efeito contrário.

São muitos os exemplos mal aceitos: blackface, #somostodosparalimpicos e o mais recente, que explodiu ontem nas redes sociais, o da C&A, em que o tema “entre na mistura jeans” causou comentários negativos por conta do uso de falsos representantes, como a modelo curvy que é apresentada como plus size e a negra loira.

Repercussão da campanha C&A

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Na página da C&A desde ontem surgiram inúmeros comentários negativos. A marca, que na campanha anterior (dia dos namorados) trabalhou a questão do gênero muito bem, e mesmo assim recebeu críticas, desta vez ainda não se pronunciou. Confira um print:

 

representatividade críticas

 

Vamos focar na modelo plus size, muitas blogueiras e influenciadoras do segmento plus size mostraram-se descontentes por dois fatores: 1) a modelo não é plus size, é curvy e se identifica como curvy. Explicando: ela tem o corpo curvilíneo e usa tamanho 46, uma modelo plus size usa acima disso e 2) a loja não tem efetivamente roupas que caibam em pessoas plus size. E isso configura só discurso de marca e não realmente uma marca que deseja trabalhar com esse público.

Veja as chamadas de dois grandes blogs que trabalham diariamente o segmento plus size, dicas, novidades e as dificuldades de ser “fora do padrão estético” da propaganda, a Ju Romano e o Grande Mulheres, da Paula Bastos:

 

representatividade ju romano

 

 

 

 

 

 

 

representatividade paula bastos

 

 

 

 

 

 

 

Confira essa frase em uma parte do post da Paula Bastos: “…a marca precisa entender que não estamos mais brincando de representatividade: hoje ela é real e ela pode acontecer de maneira fidedigna. A peça publicitária criada pela a AlmapBBDO só comprova o que eu, agora falando como profissional de comunicação e não como blogueira, tenho falado exaustivamente: não se aborda uma causa sem realmente entender o que ela significa..” E da Ju Romano: “O que você vai ver é uma campanha de marketing mal feita, que tenta se apropriar da nossa luta para reafirmar ainda mais os padrões estéticos de magreza…”

 

Quando há representatividade

Resumo, enquanto não houver realmente um trabalho de entedimento real do que é representatividade, as chances de acertos serão poucas, mas elas existem. É o caso por exemplo da Primadonna, fabricante de sutiã que colocou os funcionários homens para trabalhar um dia inteiro com peitos falsos para entenderem melhor o público para o qual trabalham.

Ou das empresas de brinquedos, como a Mattel que criou a Barbie em vários biotipos de mulheres ou do menininho negro que se sentiu representado com o boneco do Finn da Disney, o personagem negro de Star Wars. Ainda sobre o boneco Finn, o  Geledés – Instituto da Mulher Negra, fez um post comentando que o boneco encalhou nas lojas.

 

barbie diversidade representatividade

 

Não podemos esquecer também da Dove que há anos trabalha o conceito beleza real e a Avon que tem trabalhado muito bem a questão da diversidade e com isso tem trazido representantes reais de algumas minorias e dado presença e voz a elas.

Não há discurso fake que se sustente. A comunicação de marca deve ser parte real e integrada do seu branded content e do seu posicionamento de marca, nem que para isso, sua marca precise se reposicionar, caso queira falar realmente com os novos consumidores. Mas, um alerta: as agências por trás da comunicação das grandes marcas, sabem disso e sabem dos conceitos, e então por quê o deslize? Vamos pensar melhor sobre isso?!

Marcia Ceschini – Especialista em Gerenciamento de Marketing, Sócia e Consultora de Comunicação e Marketing Digital na Ceschini Consultoria, Professora da Pós Graduação nos cursos digitais do SENAC São José do Rio Preto, Ribeirão Preto e Bauru, da Trevisan Escola de Négocios, USC – Universidade do Sagrado Coração – Bauru, Idealizadora e Gestora do Papos na Rede.

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Dá para fazer mais do que entregar rosas…

rosasPor Gustavo Ferreira*

Rosas não são mais o suficiente… Não que algum dia elas tenham sido… mas… quem sou eu para fazer de conta que a comunicação não ganhou as mulheres por muito tempo com rosas e cartões com imagens e poemas baratos, não é mesmo? Dava certo (e ainda dá em muitos casos…) mas escrevo na torcida de que a percepção da sua empresa não seja ainda míope ao ponto de achar que uma rosa e um tapinha nas costas homenageia as mulheres que fazem as coisas acontecerem em sua organização neste Dia Internacional da Mulher que se aproxima.

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