Implicações organizacionais de discursos/atitudes consideradas homofóbicas pela opinião pública

Por Gustavo Ferreira*

Sua empresa corre riscos de ficar mal falada ou ser deixada de lado pela parcela da população que respeita ou apóia o amor e o casamento entre pessoas do mesmo sexo?

Você pode pensar: Claro que não! Eu não sou homofóbico. Ou então: Meu público não é gay, esse assunto não me importa. Mas não é bem por aí…

Uma afirmação, piada (se é que se pode dizer que há espaço para brincar com um assunto sério como esses) ou qualquer comportamento homofóbico de um executivo ou funcionário pode ser tomado como postura da empresa e com o assunto fervilhando nas redes sociais e internet como um todo, sua marca/empresa pode sofrer muito com isso.

Uma notícia dizendo que o okcupid resolveu bloquear o fluxo de usuários vindo do Mozilla Firefox depois das supostas declarações e comportamento homofóbicos de seu novo CEO Brendan Eich me fez pensar novamente sobre esse assunto que sempre reflito, por sempre ouvir piadas e até mesmo colocações diretas em alguns casos, seja na publicidade ou nos programas de TV. Sendo falsa ou verdadeira (foi publicada em 1o de abril e eu consegui acessar o okcupid pelo Firefox) a notícia traz de volta o fantasma da falta de respeito na comunicação e na confusão entre direito à opinião e direito à ofender alguém que não pensa/age como você.

 

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Os comentários da matéria apresentam uma mistura de discussão sobre as causas gay e anti-gay e uma reflexão sobre liberdade de expressão e agressão. Seria cômico se não fosse trágico e se pensamentos como esses não validassem atitudes como as que vemos ganhando força em países como a Uganda, por exemplo.

Se você acha que a sua empresa pode fazer piadas com homossexuais ou qualquer outra parcela da população que ainda é classificada pejorativamente como minoria, fique atento. Pode ser uma visão um pouco limitada. Afinal de contas, mesmo você acreditando que não presta serviços ou vende produtos para os gays, os seus consumidores podem ser pessoas que os  respeitam e podem facilmente se incomodar com a visão distorcida ou inapropriada do seu discurso. #ficaadica

Ah! Ser ‘gay friendly’ não quer dizer fingir que tolera os gays 🙂 Você, sua empresa e seus funcionários não precisam concordar com o amor entre pessoas do mesmo sexo. Respeitar já é um ótimo começo. Vai te evitar inúmeras dores de cabeça, entre as que falamos e outras, e faz bem pra alma também! 😉

Pense na sua estratégia de comunicação e tome cuidado para não confundir humor inapropriado com retroalimentação de pensamentos e condutas homofóbicas. Dá para fazer sua parte para termos um mundo melhor simplesmente fazendo um bom trabalho de comunicação. Informação é libertadora! Você, profisisonal de comunicação, ajude as pessoas a não serem ignorantes em relação a esse assunto!

guferreira-150x150 Gustavo Ferreira –  Relações Públicas 2.0, Analista de Marketing e Mídias Sociais na eSapiens Internet, Pesquisador do comportamento humano nos meios de interação digital.

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