A luz no fim do norte

Por Rayanna Moreira*

Sou do Norte, do lugar de difícil acesso que, por causa da logística e transporte, encarece tudo o que fabricamos e consumimos. Sou da cidade paradoxal, que por último faz uso da tecnologia que produz e está na região mais empreendedora do país. Sou do lugar em que trabalhador faz do 1º ao 3º turno no Distrito Industrial. Mas, também sou do lugar onde além de carteira assinada e planos de saúde para a família, o trabalhador quer mudar de vida fazendo o que ama.

Lá, dificilmente, alguém que conclua uma faculdade de Comunicação, por exemplo, ambiciona apertar parafusos. Vejo muita gente se formando e um mercado quase que inexplorado e gigantesco que privilegia poucos. Como uma cultura que passa de pai para filho, em Manaus, as oportunidades são passadas de amigos para amigos. Nessa linha tênue entre formação e a busca pela melhoria de vida, já vi jornalistas deixarem a redação e ir assessorar político, bem como publicitários vivarem corretores de imóveis.

Empiricamente falando, assim como, a cada esquina, em Salvador, tem uma baiana vendendo acarajé, em Manaus, a cada três quadras, tem uma agência de Publicidade. Empresas dos mais variados tamanhos e filosofias; das eugências às tradicionais. Culpa de que? De diversos fatores, um deles é muito forte: necessidade. Necessidade e suas vertentes. Necessidade de sobrevivência, necessidade de trabalhar do seu jeito, necessidade de inovação, etc. É nesse cenário que vemos as gigantes perdendo forças e clientes para as novatas. Clientes esses bem limitados. Mas, Manaus tem uma “vantagem”: se no início do semestre se é pequeno, no fim do próximo você já pode ser maior e mais respeitado, basta conseguir uma conta do setor governamental. É esse setor quem dita o desenvolvimento. O setor privado ainda está longe de ser a principal fonte. Não vou entrar na concorrência de preços porque aprendi que capital intelectual cada um tem o seu. Além de ser uma questão bem mais complexa do que se imagina.

Reinventar-se é preciso, as agências tradicionais necessitam disso. Sou muito a favor da concorrência leal, onde as armas utilizadas sejam a criatividade e a inovação. Assim o mercado fica mais tragável.

Uma tia costuma dizer que Publicidade não dá dinheiro. Ela tem razão. Nada dá dinheiro porque dinheiro se conquista. Conquista-se com suor, trabalho e/ou aprovação em um bom concurso público. Em uma versão beta de mercado onde muitos estão engatinhando, Manaus também está. Só que há pouco tempo. Isso não deve significar que não se tenha gente extremamente talentosa por lá.

Fiquem de olho em Manaus, terra fértil, onde praticamente tudo que se planta, dá. Se for bem plantado, evidentemente.

 RayannaRayanna Moreira– Publicitária e aspirante a Social Media. Uma protetora das mídias sociais indefesas.
 

 

 

4 Comentários

  • @andrecalheiros 07 / 08 / 2013

    Tenho essa tia também, Ray.
    Mas nunca me vi fazendo outra coisa que não fosse aquilo que gosto.

    Parabéns pelo texto, e pelo cuidado com que descreve a “complexidade das concorrências” que acontecem na cidade.

    Um abraço!

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    • Rayanna Moreirar 07 / 08 / 2013

      Muito Obrigada pelas palavras, André! É muito importante fazer o que gostamos. Isso evita muitos males na vida pessoal e profissional. 😉

      Abraços!

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  • Ana Clarissa 07 / 08 / 2013

    Não tenho essa tia. Minha mãe é essa tia. Adorei seu texto bem objetivo. Infelizmente, existem várias agências que estão ganhando $$ criando site na plataforma do wordpress. Prometendo 1 milhão de mágicas, sem pesquisa, sem engajamento e principalmente sem estudo.

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    • Rayanna Moreira 07 / 08 / 2013

      Obrigada pelo seu comentário, Clarissa. Essa é uma triste realidade. Pelo menos tem alguns que se salvam.

      Abraços!

      Responder


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