Cabeças 1.0 compram 5kg de likes por apenas 1 real

Por Rayanna Moreira *

Este é meu sexto texto no Ceschini. Os bons que me acompanham já devem ter notado o tom que abordo. Antes que alguém se pergunte – se é que já não o fez – se adotarei isso nos próximos, respondo que SIM. Como comentou meu amigo e escritor, Moisés Bentes, em meu primeiro texto: “Eis que surge uma luz para gritar o que muita gente só resmunga para o travesseiro quando vai se deitar”. Assim farei, enquanto, gentilmente, Marcia Ceschini ceder-me este espaço. Agora, vamos ao que interessa.

Imagina a história: Você se prepara para uma importante reunião com o cliente. Passa dias (às vezes, poucas horas, porque é o que se tem) pesquisando os melhores embasamentos para seus argumentos na apresentação. Tudo pronto. Você vai pra reunião. A reunião começa. E eis que no ápice de sua elucidação, alguém interrompe para fazer um breve comentário. Era ele, senhores: o chefe. O chefe, não o líder. Vocês devem estar se perguntando o que ele comentou. E eu respondo: o de sempre. Contradisse a maioria das ideias que fora apresentada até o momento. Em resumo: diz o que é (des)necessário para que os olhos do cliente brilhem. Um brilho de ilusão, que não renderá bons frutos.

O que presenciamos, são pessoas prometendo dar algo que elas não possuem. Prometem 1897 likes em uma semana; 3674 comentários em 5 dias; 5634 compartilhamentos em 3 dias. E há quem compre. Muitos. E quem for o responsável pelo projeto é que se vire para bater esta meta sem noção.

Só que, como a maioria das coisas e pessoas, os processos evoluem. A máquina de 3 C’s já está ultrapassada, agora querem a de 4. Curtir, Comentar, Compartilhar e Comprar. “Porque se eu tenho 2.500 fãs, eu deveria ter 2.500 compradores. É lógica, não?
Por favor, parem de achar que ter uma página no Facebook aumentará 98% das suas vendas. Principalmente se sua empresa ainda estiver na fase de Crescimento. Estamos na Era do Marketing 3.0, onde o relacionamento e o diálogo são os principais motores desse barco.

Philip Kotler, Hermawan Kartajaya e Iwan Setiawan apresentam, no livro Marketing 3.0, fazem uma comparação entre Marketing 1.0, 2.0 e 3.0.  Os objetivos são, respectivamente: vender produtos (1.0), satisfazer e reter os consumidores (2.0), fazer do mundo um lugar melhor (3.0).

Agora, as pessoas querem saber como sua empresa lida com questões socioculturais e de sustentabilidade. Elas querem ver seus valores e o impacto que causa no mundo. A tecnologia e diferenciais de seus produtos são importantes, sim. Mas, elas necessitam ver a humanidade da empresa.

Portanto, “envolvidos no processo”, vamos parar de vender – e obrigar a fazer – o errado, se somos conhecedores do certo. Não vamos ser como o tio do sorvete que passa na rua vendendo 5 bolas por apenas 1 real ou em troca de uma garrafa de cerveja. Porque o sorvete é muito, mas a qualidade é pouca. Sugiro que paremos para refletir um pouco sobre nossas ações. Não ignorem o conhecimento e iremos crescer juntos!
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Esclarecimento sobre o tio do sorvete: foi citado apenas para demonstrar o tipo de venda adotado. Não entendam como preconceituoso ou algo do tipo. Eu mesma era cliente fiel do tio quando criança, mas sabia que existiam sorvetes melhores.

Rayanna Moreira– Publicitária e aspirante a Social Media. Uma protetora das mídias sociais indefesas.

5 Comentários

  • Eder Franco 30 / 01 / 2013

    Continuando com o exemplo do tio, se essa tática funcionasse, em pouco tempo ele teria uma fábrica de sorvetes, não? De maneira semelhante, este mercado dos likes não prospera o vendedor, que, condicionado ao comodismo, um dia perde a confiança do cliente (e a conta do cliente), quando sua tática de fazer “brilhar os olhos” prova-se ineficaz.

    Parabéns pelo texto, Rayanna! E obrigado a você, Márcia, por abrir espaço para este tipo de discussão.

    Abraços!

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    • Rayanna Moreira 31 / 01 / 2013

      Eder, obrigada pelo comentário e por me complementar com suas palavras sempre bem colocadas. Abraços, leitor querido! 😉

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  • André Calheiros 30 / 01 / 2013

    Seu olhar crítico da situação ilustra muito bem a triste realidade de muitas empresas!

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    • marcia 31 / 01 / 2013

      Agradecemos o comentário, André. Infelizmente é uma realidade em todo tamanho de empresa.
      Abraços.

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    • Rayanna Moreira 31 / 01 / 2013

      Obrigada pelo comentário, Calheiros. Espero sempre poder contribuir e mostrar nossa realidade. :*

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