Bonecos querem virar gente. Meninas sonham serem bonecas

Por Graça Taguti*

#Cuméquié?
Vamos à linguagem do twitter #asminapira. Então. Que história é essa de virar o ser humano pelo avesso, fazer dele gato e sapato. Se transformar em homem-leopardo,   homem-lagarto  ou tentar alcançar a vida eterna. Talvez se transformando no Caveirão?.


Tá tudo mucho loco na atualidade. Affe! Enfado de si, enjoo da vida insípida. Cansaço do corpo, ócio no espírito. Que chatura, viver sempre debaixo da mesma pele, Hein?
O filme Dans Ma Peu, de Marina de Van trata dessa questão, sem anestesia.  Olhos nos olhos e com muito sangue.  Você aguenta?

Acompanhe a sinopse: Após um acidente que rasga violentamente sua pele, uma mulher adquire uma crescente obsessão com seu próprio corpo, retratada sem nenhuma sutileza na película. Carne e sangue são explorados com calma no filme, em cenas longas e perturbadoras que formam uma apaixonada antítese da violência tradicional.
E que tal provar o  tira-gosto do trailer:


Dá pra arrepiar, né.  Irado, como definirá a galera.

Ok.  Este não é um blog focado em psicologia. Tampouco este artigo. Apenas interessa ressaltar porque hoje está  tão difícil,  mas tão difícil mesmo, ser , simplesmente,  um ser humano.

Voltando lá em cima, à provocação do título. Existe um montão de garotinhas e adolescentes pelo mundo afora, fissuradas em parecer bonecas. Sim.  Bonecas de carne e osso, como Dakota Rose, conhecida por  Kota Koti, em seus vídeos no Youtube.

Paralelamente, há  gente sem paciência pra criar bebes de verdade, com choro de madrugada, dorezinhas de barriga, etc. E aí, nada melhor que adquirir um boneco.  (Você jura que ele pulsa,  respira e saiu da sua barriga!) É a técnica reborn : bebes esculpidos em polymer clay.

Confira o vídeo:

Veja que loucura! Está menina-boneca é ainda mais perfeita! Confira o Facebook de Valeria Lukyanova, uma russa que deseja ser como a Barbie: https://www.facebook.com/ValeriaLukyanova

Resumindo: não importa nos dias de hoje as razões para a adoção de tantas novidades,  body modifications, auto-avatarizações ( putz, se é que a palavra existe!).

O fato é que tatuagens, piercings, alargadores e inserções de próteses à parte, muita gente sente tédio por precisar carregar, no século XXI e  também sobre os ossos,  o velho e milenar corpo.

Por isso, vale a paródia. Como cantaria o saudoso e mutante Raul Seixas:  “Eu prefiro ser essa metamorfose ambulante, do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo”.  Vamos lá, seja.

Graça Taguti – Quase neurocientista pela UFRJ, jornalista, publicitária, professora e palestrante. Mestre em Novas Tecnologias da Comunicação  e Cultura , pela UERJ. Amante do novo, da aceleração e  dos sujeitos mutantes.


4 Comentários

  • Roney 05 / 10 / 2012

    O que leva pessoas a modificarem os próprios corpos?

    É fácil entender as roupas, penteados, acessórios e gadgets que, afinal de conta, assim como foi um dia a espada ou o Colt, compõe parte da expressão da nossa identidade.

    Somos seres informacionais, sempre fomos.

    As tatuagens e modificações do corpo talvez sejam tão antigas quanto a consciência, a capacidade de identificar que há você e o outro. Então o que me faz diferente do outro? Minha etiqueta? O poder para ter artigos especiais? Ser o primeiro a ter aquele modelo desmartphone?

    Prefiro não me arriscar a tentar explicar os motivos que levam à modificação do corpo pois é claro que vão muito além do silicone que escravia a mulher a um padrão de aparência ou da falta de personalidade que nos faz adotar o que “todo mundo está fazendo”. Aliás outro dia mesmo estava notando como a tatuagem está se popularizando. Acho normal, tão fácil ou difícil de entender quanto o brinco.

    Vários amigos tatuam o que está fortemente gravado em seus espíritos, outros querem apenas ficar na moda… Desconheço estatísticas sobre quantos se enquadram em cada caso.

    E as transformações radicais como o homem-tigre ou até a pessoa-boneco (que pelo menos é reversível)?

    Será uma resposta para a futilidade das décadas passas quando tudo era descartável? Estarão essas pessoas se compromentendo com um meme de permanência?

    É difícil não imaginar um labirinto psicológico de algum tipo, mas conheço casos médios e até bem radicais em que as pessoas estão apenas transbordando seus universos interiores, talvez materializando seus mundos de fantasia na esperança de fugir do mundo real? Pode ser.

    Como disse, não vou me atrever a explicações fechadas, mas algo me diz que estamos vendo parte de um grande processo positivo com alguns afloramentos radicais que nos assustam…

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    • Amit 28 / 11 / 2012

      Realmente e9 algo para se pensar. Vivenciei isso com muotis amigos twitteiros no campus party. Ne3o sei e9 porque a maioria era meio maluco por internet, mas o fluxo foi bom (na minha opinie3o). O twitter no tele3o quando bem usado era um espae7o para expressar a opinie3o tanto a favor quanto contra do palestrante. O volume era grande demais e isso, e0s vezes, atrapalhava, mas de uma forma geral achei que foi um novo formato de palestra realmente. Fico imaginando (je1 que minha outra e1rea e9 a safade ale9m do futebol) como seria o comportamento dos me9dicos em uma confereancia com gente twittando durante a apresentae7e3o. Seria bem melhor, eu acho. Parabe9ns, mais uma vez pelo tema. Abs, Cris

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    • Paloma 29 / 11 / 2012

      Dessa vez eu que vou assumir o papel de conatrponto Sou reconhecidamente uum tecnootimista que acredita estarmos nos dirigindo a uuma sociedade globallmente mais humana e humanista em que as diferene7as sociais, culturais etc ne3o nos distanciare3o tanto uns dos outros e sere3o ate9 admiradas, mas Ainda tem muita gente fora dos novos espae7s de interae7e3o horizontais. Conforme a Internet deixa de ser um privile9gio tornando-se um direito be1sico mais e mais formas de pensamento se unem e0 coletividade de vozes.Imagino que as vozes mais sedutoras sere3o capazes de se multiplicar e se destacar da algaravia. Essas vozes a que me refiro ne3o se3o iindividuais, mas coletivas, sf3 para evitar que me entendam mmal.Sabemos que a esseancia humana ne3o este1 mudando profundamente, ou seja, ainda somos vulnere1veis e0 sedue7e3o do meddo e nosso vazio existencial (que nos faz emocionalmente carentes) mais ou menos generalizado nos deixa vulnere1veis e0 sedue7e3o do poder, daluxfaria consumo e outras emoe7f5es menos deseje1veis o que o impulso de coletividade. Sere1 realmentte que, ao unirmos nossas vozes individuais as melodias que se destacare3o ne3o sere3o as que nos desesperam ou noos fazem rejeitar o diferente criando, talvez, uma ditadura do conectado sobre o desconectado ou alguma outra forma de domednio injusto?

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  • Graça Taguti 10 / 10 / 2012

    Roney, desculpe. Não sei aonde foi parar meu comentário;) Mas vamos lá! Primeiramente, obrigada pelo seu post, repleto de possibilidades caleidoscópicas, relativas ao ser humano. O que acontece hoje é que há muita informação para poucos cérebros. Não possuímos neurônios suficientes que aguentem tamanhas, múltiplas e transmidiáticas solicitações, nos dias atuais, né?;) E aí sentimos o maior cansaço de continuarmos carregando este mesmo exausto corpo, vida afora. E isso, sem qualquer defesa para nos protegermos de tamanhos assédios informacionais. E aí haja “gambiarras tecnológicas” para nos ajudar a fugir do furacão.
    Parece que está valendo tudo, hoje. Menos ser gente;)

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