QUEM NÃO SABE…SABE!

Sabia disso?

Por Graça Taguti *

Iniciamos nosso post com uma máxima,  emblemática de um provocativo futurólogo: Alvin Tofler.

Será que hoje conseguimos entender a importância do “não saber”, de ter dúvidas, cultivar reticências, para que possamos prosseguir com  nosso processo móvel, contínuo, ininterrupto de aprendizado?

É inegável a realidade que nos assola, de que atualmente perambulamos pelo século XXI como ciganos diaspóricos. Conjugando o verbo ser no gerúndio.

Pois afinal o gerúndio é o único tempo verbal que distingue e ressalta efetivamente nossa permanente mobilidade hoje.

A propósito o que “sendo”, flexão no gerúndio do verbo ser encerra? Essa conjugação aglutina, a um só tempo, o passado, presente e o futuro num flash do “instantâneo”. Melhor dizendo, recorrendo aos ícones do twitter: o futuro #jáé.  Se reproduz a cada segundo. Porque não há  mais “amanhãs”. Reflexão um tanto aflitiva esta, talvez.

E a nossa segurança, pseudocontrole de TUDO, defronte a esta constatação? Foi pro espaço, lógico!

Vivemos a Era do Descartável. Do troca-troca incessante: pessoas-objetos-pessoas-ter-ser-sentir-acumular-deletar.

Mas que felicidade Prozac é essa, que teima em nortear nossos trêmulos sorrisos e esgares faciais de alegria infinita?

VOCÊ TEM MEDO DE QUÊ?

Dá medo não saber. Dá medo perder o controle do que na verdade já perdemos, desde quando nascemos. Não houve, nesta ocasião, qualquer botão verde de escolha, que nos permitisse aceitar entrar no caos acelerado deste mundo. Pluft! De repente aqui estávamos nós, deslizando feito zumbis no planeta terra, sem saber para onde o destino, ou nós próprios, com algum livre-arbítrio, iríamos nos conduzir. Claro que os apegos materiais, a fome pelo consumo, começou desde quando engatinhávamos. De algum modo, já tínhamos ciência de termos nascidos sem qualquer “poder efetivo” sobre nossa vida, nem sobre a nossa morte.

Alguns indivíduos, talvez muito vaidosos e orgulhosos, vêm recorrendo ao empoderamento de extinguir a própria vida, através de um mero suicídio. Mas e daí? Nos tornamos mais potentes e majestáticos com este gesto fatal?

No dia a dia, temos também diversos insights de que intercambiar, relacionar-se com grupos é difícil. Afinal, como abandonar a “realeza” das nossas interjeições pela corda-bamba das reticências?… Reticências sempre porosas, sempre mutantes, sempre osmoticamente absorvendo o que envolve as pessoas-esponja, e seus meio-ambientes, raras, sem dúvida!, como alguns espécimes de nós.

Bom, crescer é isso. É construir devagarzinho, ao longo de nossa existência  a doce consciência de que o aprendizado só acontece, em qualquer área, quando ele é poroso, permeável, passível de paradoxos e contradições, ambiguidades essas  que nos conduzam a indizíveis metamorfoses.

Dá  medo sentir-se como uma nuvem passageira, como cantaria Ney Matogrosso? Claro que dá.

Mas se estivermos realmente dispostos a quebrar regras, desmanchar porta-retratos-certinhos sobre escrivaninhas tradicionais e sair fora da caixa-das-mesmices, estaremos designados a usufruir dos prazeres inenarráveis de possuirmos asas. Descolarmos os pés do país das seguranças e do previsível. Não há outro jeito. Temos que correr riscos.

A CULTURA DO INCRÍVEL

Há algum tempo me deparei com um vídeo muito interessante, uma palestra do René de Paula Jr, recentemente proferida no YouPix, em POA, versando sobre a “Cultura do Incrível” , do “Amazing” . Em resumo, ele discorria sobre os cacoetes da repetição. Naturalmente,  os “likes”compulsivos e ostensivos do facebook nos levam inerentemente a estendermos nosso pretenso network digital, dando “likes” a torto e a direito. Fazendo-nos  presentes em todas as páginas, grupos e TLs, o mais rápido possível. Comprando histericamente  a briga contra o tempo, e desejando com fervor passar a perna nele,  o feroz castrador de impossíveis. O tempo é nosso maestro, ainda na contemporaneidade, não adianta nos rebelarmos contra este fato. Não dá para descartá-lo assim, como fazemos constantemente com coisas e pessoas.

E voltando ao vídeo, detectei algo muito pitoresco: se almejarmos também fugir da comoditização, que nos arranca quaisquer diferenças e pretensas singularidades, se pretendermos,  como reza a teoria da Cauda Longa, abraçar a customização,  ter nossos próprios nichos e segmentos individualizados de consumo, a cultura dos “likes” nos deixará a todos com o mesmo informe e irrevogável rosto. Emoticons: adoro você, coraçõezinhos a rodo. E como consequência, a disforme paralisia humana, o entorpecimento psicológico, a anestesia emocional.

Ahh… que delícia ser marionetes no mundo atual, sem se dar conta disso, hein?

 Bom, saboreie o vídeo , a palestra provocativa e me retorne, se puder,  questionando as possíveis certezas que, obviamente,  ainda  permeiam meu cotidiano , certo? Curta o link. E, no mais,  aguardo você, ok. Dont worry! Be happy 😀

 

 Graça Taguti  – Quase neurocientista pela UFRJ, jornalista, publicitária, professora e palestrante. Mestre em Novas Tecnologias da Comunicação  e Cultura , pela UERJ. Amante do novo, da aceleração e  dos sujeitos mutantes.

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