Quem tem (tempo para a) criatividade?

Por Rayanna Moreira*

Quando a Marcia me convidou para colaborar neste espaço, eu fiquei honrada. Afinal, depois da Martha Gabriel, ela é a minha referência nesta área. A oportunidade de compartilhar visões com as pessoas é algo incrível. Valeu, Ceschini! 😉

Iniciemos o que interessa. Nos intervalos da correria e de prazos estourados, pensava sobre o que escrever neste primeiro texto. Aí, optei por falar de algo que nos motiva e alimenta o ego: a criatividade.

Nos meus pouco mais de dois anos de profissão, passei pelas mais diversas experiências possíveis. Porém, algo elas tinham em comum: a falta de tempo para a criatividade.

Como em 99% dos casos, as demandas em agências são para ontem, não sobra tempo pra ser criativo. Inovar é a palavra preferida nos bastidores. O que a maioria não compreende é que isso requer tempo. Muito tempo. Tempo dedicado a pesquisa e estudo, que iluminará o espaço obscuro do ócio. Isso acontece porque já nos acostumamos com “clichê que dá certo”. Não é fácil pensar algo criativo com a sua caixa cheia de demandas, com a pressão e desejo de manter a sua reputação de salvador do briefing. A “padaria”, como é ironicamente chamada a tradição de se produzir algo instantaneamente, não pode parar nunca. E ai de quem fizer pão ruim porque usou trigo velho. Obviamente porque o engessado é mais em conta. E não conta ser o melhor? Quanto custa ser espelho? É aquela história de nem sempre comprar o que se vende.

Porém, não é só o tempo que mata a criatividade. O guru da administração, Peter Drucker, afirma que “A criatividade não anda escassa. O que acontece é que a maioria das organizações se esforça para acabar com ela”. Não há como não concordar em número, gênero e grau.

Há quem ainda queira fazer a coisa certa e não apenas fazer certo uma coisa. Não pra ser premiado em Cannes, mas pra ver a satisfação no feedback dos clientes e alimentar seu próprio ego.

Confiante sigo na esperança de que um dia exista tempo e apoiadores para as grandes ideias que estão bem lá no nosso inconsciente.

Amigos, uni-vos, pelo direito à criatividade!

Rayanna Moreira – Publicitária e aspirante a Social Media. Uma protetora das mídias sociais indefesas.

4 Comentários

  • Carol Oliveira 22 / 08 / 2012

    “Inovar é a palavra preferida nos bastidores. O que a maioria não compreende é que isso requer tempo.” Um desabafo de todos nós. Parabéns Rayanna. 🙂

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    • Rayanna Moreira 22 / 08 / 2012

      Obrigada, Carol! 😉

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  • Moisés Bentes 22 / 08 / 2012

    Eis que surge uma luz para gritar o que muita gente só resmunga para o travesseiro quando vai se deitar (ou quando está no banheiro, na sagrada privacidade fisiológica ou para retocar maquiagem mesmo).

    Eu que tive o enorme e vitalício prazer de estudar ao lado (ou atrás, ou na frente) dessa mulher superadora de obstáculos, sublinho sua indignação contida e elegante.

    Um dos motivos pelo qual a publicidade, principalmente a da nossa calorosa Manaus, é alvo de indigestas campanhas e medíocres anúncios coordenados, muitas vezes, pela força monetária do cliente e não pelo talento criativo do corpo de uma agência, é essa ânsia de fazer tudo de hoje para ontem e do jeito que der-deu e seja-o-que-Deus(e o cliente)-quiser.

    É complicado competir com o tempo. Vou contar um segredinho para vocês: não dá para vencê-lo, então aprenda a trabalhar com ele e não contra ele, porque dinheiro é importante, motivacional e compra as coisas mais legais do mundo, porém a reputação, essa não se compra, pode-se até vendê-la, mas comprá-la, jamais.

    Portanto, Criativos de todas os setores de qualquer advertising-funhouse , desde o(s) dono(s) da agência até o(s) estagiário(s) (louco(s) para não ver(em) suas expectativas, nutridas em uma faculdade, destroçadas no primeiro mês de estágio quando tudo que ele(s) faz(em) é usar o Photoshop e levar bronca por “não saber fazer direito” – alguém aí pega o dicionário para colocar um banner com letras garrafas e sem serifa na entrada da agência pra todo mundo saber o que significa o substantivo “estagiário”), reflitam para que tudo siga de acordo com a Segunda Lei da Termodinâmica aplicada à publicidade:

    “quando duas ou mais mentes criativas entram em interação, ninguém fica sobrecarregado e nasce uma ideia boa ou ótima, tanto criativa quanto vendável” – assino aqui.

    Assim, ninguém precisará carregar uma cruz, subindo uma ladeira, levando bronca e pressão de todos os lados só pra chegar lá no topo e alguém falar: pô, esse cara é o salvador do briefing.

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    • Rayanna Moreira 22 / 08 / 2012

      Moisés Bentes: o Mestre das palavras certas em momentos certos. Um dia eu chego aí nesse topo em que você habita com suas lindas observações. 🙂

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