Nem santas, nem devassas

Por Marcia Ceschini*

O buzz da semana foi o reposicionamento da cerveja Devassa, usando a cantora Sandy como garota propaganda. Tanto buxixo digital se deve a  dois fatos: 1 – Sandy não gosta de cerveja mesmo sem álcool e 2 – ninguém a associa como uma pessoa “devassa”.

Mas meu artigo não é sobre o buzz da Devassa. É sobre algo que nossa propaganda faz mal: o uso da figura feminina em campanhas. E falo aqui como comunicadora, não como feminista. Embora alguns desavisados possam associar a isso, já que é uma mulher que escreve.

As mulheres evoluíram muito em todos os aspectos da vida, e temos feitos boas escolhas. Uma boa parte delas, ao menos.  Por que então sempre somos retratadas como vulgar, objetos de desejo, sem roupas, sem saber escolher, sempre ligada ao sexual? Porque essa é a visão do macho. É esse macho que faz a criação pensando em como a maioria dos produtos está ainda ligada ao ato do homem das cavernas de puxar  a mulher pelo cabelo.

Isso não é invencionice minha. É embasada pela pesquisa que o Instituto Perseu Abramo em parceria com o Sesc de São Paulo realizou ano passado. O estudo faz uma análise das opiniões e percepções femininas acerca de diversas vertentes da sociedade.

Seria interessante que os criativos, e os homens em geral,  olhassem para nós, não só como matronas que fazem macarronadas e bolos ou devassas em tops e shorts minúsculos.  Mas mulheres reais. Somos altas, baixas, gordas, magras (com e sem estrias), seres inteligentes, pensantes, organizadas e com bom gerenciamento de todo tipo de conflito: em casa ou no ambiente profissional.

É possível retratar uma mulher de verdade. Basta que vocês se interessem de verdade em descobrir como somos, além da tarja desejável que vem, ou não, a avistar uma de nós. Não somos santas, nem devassas. Somos Mulheres.

* Publicado originalmente no INPG Blog

8 Comentários

  • Felipe Martins Greiner 22 / 04 / 2011

    Antes de ler seu post, jurei que o enfoque seria ao de Sandy como Devassa e a repercusão que deu. Escreveu muito bem, Marcia!

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    • marcia 22 / 04 / 2011

      Oi felipe,

      pois é, eu quis sair da polêmica sobre a cantora e focar em como a propaganda trata a mulher como um objeto.
      A mulher evoluiu e o papel dela na comunicação não acompanhou.
      Obrigada pelo comentário.
      Abraços

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  • Marcelo Dalla Vecchia 03 / 07 / 2011

    Marcinha, as propagandas, de um modo geral, que associam a mulher ao produto que “vendem”,quase sempre, fazem de forma apelativa e depreciativa. Ao colocar a mulher na condição de objeto sexual, reforça os valores de uma sociedade débil, alienada, fechada em prioridades suportadas sobre 03 “dogmas”: posse, prazer e poder.

    Forte abraço. Saudades!

    Marcelo

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    • marcia 03 / 07 / 2011

      Olá Marcelo,

      Obrigada por visitar o blog e deixar comentário.
      Vc disse bem, uma sociedade alienada e ultrapassada.
      Abraços e saudades de vocês também.

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  • Fernanda Chiérici 07 / 08 / 2011

    Márcia

    Adorei o seu post,como também adoro você e fico feliz de conviver com pessoas evoluidas tanto nos pensamentos quanto nas atitudes.
    Parabéns e tão bom sabermos que nós mulheres podemos ser visiveis de maneira boa, correta.E não como objetos ou vitrines.

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    • marcia 08 / 08 / 2011

      Fer,

      obrigada por visitar o blog e comentar. E sim, é importante que a mulher seja bem representada nas mídias.
      A propaganda da Bombril com os homens retratados como objetos também não os agradou, porque temos que nos calar quando nos retratam como tal?
      beijos e bom começo de semana.

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  • Tolstoy Cardoso 19 / 10 / 2011

    Assino em baixo Marcia.

    A Mídia precisa entender que ela é uma das principais influenciadoras no comportamento da sociedade, ditando modas, regras, impondo preconceitos, rotulando homens, mulheres, defeitos e qualidade, enfim.

    Nosso país precisa se levantar contra esse tipo de mídia, criar um código de ética, fazer alguma coisa.

    Lembremos que nossa futura geração, nossos filhos ficam pelo menos de 8 a 10 horas sendo influenciadas pela mídia, nas novelas, filmes, clipes de música, revistas, e quando a mulher é mostrada apenas como objeto, isso se torna extremamente prejudicial para as futuras gerações, pois a referência que fica é a pior possível!

    Abraços,

    @tolstoy
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    Blog: http://www.mistertube.com.br/

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    • marcia 19 / 10 / 2011

      Tolstoy,

      Eu realmente fiquei encantada com o movimento, a proposta do movimento e a seriedade.
      Não é possível que as mulheres ainda tenham que ser modelo para procriação e trabalho servil.
      Evoluímos, somos seres pensantes e capazes.
      Essa mídia e esse criativo com mentalidade na Idade Média precisa acordar para essa nova mulher que somos.
      Ok, existem as tolas que ainda pensam que ser um pedaço de carne desejado é tudo na vida, mas dela, não da coletividade que ela representa.
      Abraços

      Marcia

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